quem tem medo do tcc?

Acordo às 7:00 pra praticar a apresentação do TCC antes de ir trabalhar. Depois do ensaio que mais me deixou nervosa que qualquer outra coisa, resolvo postar no Facebook a seguinte mensagem:

tccface.png

E fui trabalhar.

A resposta me deixou chocada.

Sério. Choque mesmo.

Eu não sei se eu que não tinha percebido o quão estressada eu estava pro meu TCC, mas quando as mensagens começaram a vir, por Facebook, mensagem de texto, WhatsApp e ligações, eu fiquei meio sem saber o que fazer com a minha vida. “To me sentindo tão amada que nem dá espaço pra sentir nervoso”, eu mandei pra uma amiga minha. Foi família, alunos, ex-alunos, colegas de faculdade e trabalho, amigos com quem eu não falava à muito tempo. Muita gente muito linda que eu admiro e amo demais, intercalando entre me mandar sugestões de músicas e mandar desejos de boa sorte, de amor, de apoio.

Coincidentemente, eu li essa semana um artigo de uma apresentadora americana falando sobre ter tido câncer de mama e mantido isso um segredo. Ela conta no artigo que acabou contando meio sem querer pra um homem ao lado dela em um avião, e que ele disse que quando se está em uma situação difícil, se tem duas escolhas: ou compartilhar, e dar a chance as pessoas de serem ajudadas pela tua história e também de te ajudarem, ou de calar.

Eu acho que isso funciona também com coisas legais.

Com o passar dos anos, eu fui me convencendo que as pessoas simplesmente não se importam. Que é menos frustrante só compartilhar com pessoas mais próximas o que acontece de bom, e deixar por isso mesmo. Acho que talvez por isso eu fiquei tão emocionada com a resposta que aquele post bobinho teve. Porque eu não estava esperando aquilo. A maioria daquelas pessoas, eu sabia que me apoiava e amava. Mas eu não esperava estar na sala dos professores, meia hora mais cedo, e uma colega passar por mim com um sorriso, e dizer: “É hoje, né?”. Eu sorri, meio sem jeito. Sim. Era hoje. Saí da sala pouco depois disso, tinha que pegar uma prova na secretaria pra corrigir, passei pela minha chefe. Ela tocou meu ombro, com um sorriso no rosto: “Já foi o teu TCC ou ainda vai ser?”. A gente ficou falando disso por uns quinze minutos.

Meu dindo me mandou uma mensagem de texto pouco tempo depois. Ela é extensa, e tem muito, muito amor, mas essa parte aqui eu preciso compartilhar: “O mais importante de tudo: lembra que te amamos muito e que tu é nossa eterna guriazinha amada e querida. E que vamos te afofar com TCC ou sem TCC.”

Com ou sem sucesso acadêmico, sucesso igual.

Não existe maior medidor de sucesso do que ser afofada. Cie12366764_921658651248676_411038830_nntificamente comprovado.

Então eu sabia que ia ficar tudo bem. Eu tinha uma rede de apoio curiosamente variada: desde alunos de doze anos, até meus avós. Todo mundo estava na torcida que eu simplesmente relaxasse, e, como um amigo meu disse: “Gabrilha”. Eu queria Gabrilhar.

E aí… eu estava pronta.

Foto à direita pra mostrar basicamente que estar nervosa e se sentir cheia de amor não me impede de tirar fotos em poses que eu não deveria querer tirar fotos com 22 anos.

Pra começar, gostaria de dizer que as apresentações foram lindas. Foram tópicos relevantes, apresentados de maneira absolutamente encantadora. Eu conheço a minha trajetória e apenas a minha, mas mesmo assim me deu um senso de orgulho e realização tão grande de ver meus colegas apresentando seus trabalhos com tanta propriedade, tanta paixão… Foi muito bonito.

12346850_921726771241864_1717111510_nSabe o que foi mais bonito ainda? Os comentários finais. Os professores fazendo a gente chorar. O meu vô anunciando categoricamente sem precisar de microfone que depois de assistir às nossas apresentações, ele tem fé na educação e no futuro. Meu vôzinho lindo. Fazendo a galera chorar mais ainda.

É claro que eu também chorei. Não seria eu se eu não chorasse. Mas não na minha apresentação. Na minha apresentação, eu consegui falar (quase) tudo o que eu queria, e apesar de ter me enrolado um pouco no final, quando eu disse isso, minha orientadora pegou minha mão, me olhou no olho, e disse, com uma segurança que chega a dar medo: “Foi lindo”.

Eu acho que já está bem claro o quanto a minha orientadora é demais, mas vale a pena reforçar. Minha orientadora é a melhor pessoa do universo. Foram as palavras dela que me fizeram chorar, e minha colega que foi orientada por ela também. Basicamente, acho que é uma afirmação também de teor científico dizer que a Lia é uma das professoras mais amadas dessa faculdade.

A presença da minha família (que, muito alarmante, não tiramos fotos) foi muito emocionante pra mim também. Meus avós verem um pouquinho do que eu faço, estudo, amo… Escrever esse parágrafo vai me fazer chorar — o quanto antes eu aceitar melhor. Então. Hm. Ok. Retomando: eu insisti em uma ideia de que pros meus avós seria uma fonte de orgulho enorme ver a neta mais velha tão próxima de concluir o ensino superior, defendendo o trabalho de conclusão… Mas na verdade quem precisava disso era eu, não eles. Eu precisava olhar lá de cima e ver os olhos pacientes e focados dos meus avós. Eu passei metade da minha vida vivendo com eles. Eu precisava disso, tanto quanto precisava meus pais ali também. Enquanto eles podem sentir orgulho (uma palavra bastante repetida essa noite), a realização que eu sinto é mais do que acadêmica. É de mostrar pra eles que eles todos me criaram certo, não por eu estar apresentando um trabalho acadêmico, mas pelo teor dele.

Eu precisava saber que eles entendiam o que eu sentia. Eu precisava… Eu acho que eu só precisava deles lá. Eu não sei de que outra maneira explicar o sentimento.

Então do fundo do meu coração: obrigada. Obrigada aos meus avós, pais, e amigos que vieram. Obrigada aos professores que se mostraram tão orgulhosos do nosso progresso expressado hoje à noite. Obrigada aos colegas que apresentaram trabalhos tão bonitos. Obrigada aos amigos que mesmo sem estarem fisicamente lá, se fizeram presentes de outras formas. Muito, muito obrigada. Vocês fizeram dessa experiência ainda mais incrível do que ela já seria.

Ah, e tirei dez.

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3 thoughts on “quem tem medo do tcc?

  1. lollll, como se eu achasse que alguem teria a coragem de te dar qualquer outra nota que não 10 né?

    momento maravilhoso, texto maravilhoso. obrigada por ter me escrito isso pq eu vivi tudinho aqui agora lendo.
    essa vitória é linda demais. mas é só uma das tantas que tu já tem e terá. e isso as vezes me deixa meio desesperada de amor!!!! mas tudo bem, amo esse desespero. hahahaha
    parabéns parabéns e de novo parabéns.
    agora vai lá no espelho como eu disse e fica repetindo o quão incrível tu é olhando bem fundo nos teus olhos. eu não posso mas tu faz esse favor pra mim. obrigada de nada

    gabrilhosa.

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    1. Cara……. Cara…………….. CARA. Tu é muito incrível, sabia? (Tu: dando de ombros e falando, “é claro que sim”) Já to com muita saudade de ti, de experenciar isso ao vivo.
      Muito obrigada por ser #TEAMGABHI antes de qualquer outro #TEAM[pessoa], porque eu sou #TEAMVOCÊ tanto quanto.

      EU SINTO ESSE DESESPERO TAMBÉM. Vamos ser desesperadas sempre. É terrível pro meu sleep schedule mas maravilhoso pro meu humor.

      ❤ ❤ ❤

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