morreu um cavalo aqui do lado de casa

Eu moro em um condomínio de prédios. Do lado direito, uma avenida, bairro bem estabelecido. Do lado esquerdo, inexplicavelmente, uma fazenda. Têm postes de luz, então dá pra especular que eles não vão sair de lá tão cedo. Eu e uma amiga vizinha brincamos que moramos na área rural da cidade, porque vez que outra, pegando a avenida, de um lado da pista têm ovelhas, do outro vacas. Os animais meio que fogem de lá às vezes.

Eu amo esses animais. A primeira vez que eu entrei no meu apartamento, eu corri pra sacada, vi os animais, e meus olhos encheram d’água. Eu falei pra minha mãe que eram as “minhas vaquinhas”. Eu tomo café da manhã quase todos os dias na mesa da sacada, pra ficar olhando os bichos. Eu chego ao absurdo de ir pra sacada de óculos de sol, quando está muito quente, só pra poder ficar olhando.

Tem alguma coisa mágica em ter tanta natureza relativamente livre, tão perto do meu condomínio de muros altos e grades.

Em uma das semanas mais estressantes que tive há uns dois meses atrás, eu fui pra sacada, sentei lá, e vi dois cachorros pastores guiando ovelhas. Eu gravei um vídeo e mandei pra uma amiga. Alguma coisa naquela cena me fez desmoronar. Desatei a chorar de emoção.

No final de semana passado, recebendo meus pais e fazendo uma maratona de Um Maluco No Pedaço pós-almoço, eles me mostraram uma coisa que eu não tinha identificado direito: um cavalo tinha morrido. Eu sabia que tinha alguma coisa diferente porque… cavalos não ficam deitados daquele jeito. Pelo menos isso eu sabia. Mas antes de eles me falarem, eu não tinha realmente juntado dois e dois. Eu acho que eu não queria. Por mais que eu não tivesse nenhum apego emocional àquele cavalo específico, e nunca tivesse chegado perto de nenhum daqueles bichos, eu não queria aceitar que eles também morriam.

Até meus pais irem embora, os abutres já tinham começado a circular em volta do animal. Os outros ficavam afastados, mas não especialmente incomodados. No outro dia, de manhã, os abutres estavam se alimentando do corpo do cavalo. Dois dias depois, tinha um novo montinho na terra, onde o cavalo tinha sido enterrado e, agora eu sabia, outros animais também eram enterrados assim.

Me bateu uma estranheza maior que a tristeza, olhando aquilo.

“Faz parte da natureza,” minha mãe disse.

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(Screenshot: o maravilhoso BoJack Horseman.)

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